(Antes preciso avisar que eu não tenho muita noção dos limites entre uma simples sinopse e um spoiler descarado. Eu tento apresentar o filme, passar minhas impressões sem estragar muito a surpresa).
01) Deuses
Não tenho certeza se já vi algum filme peruano.
Vi o trailer, achei bacana o tema e fui ver.
No big deal. Aliás, não mesmo. Nota 7,0 (bom)
Elisa era pobre, até ir morar com Agustín, um empresário milionário. É através dela que penetramos no high society limeño. Maridos muito ricos, esposas dondocas entediadas que se dedicam à hobbies exóticos e à caridade, juventude drogada e inconsequente. Nada muito diferente das classes abastadas de qualquer metrópole ocidental.
É interressante acompanhar as dúvidas de Elisa, como ela se equilibra (ou não) entre os dois mundos, como tenta se adequar a nova vida, como ela (com um olhar "estrangeiro") vê a rotina entre patrões e empregados.
Dois personagens:
-A senhora que trabalha na casa de Agustín.
Simpática, gentil e subserviente. Não percebe o quanto é explorada e ainda acha que o patrão é bonzinho com os empregados.
-Diego, filho adolescente de Agustín.
Menino gente boa, porém confuso. Tem uns conflitos internos. Não se sente à vontade nesse ambiente de aparências. Pra mim, Diego é o personagem mais importante para o andamento da trama.
02) Amreeka
Pra mim, foi uma surpresa boa. Nota 8,5
Não estava na minha lista inicial. Assistir pra não ficar à toa entre o 01) e o 03).
Muna e seu filho, Fadi, se mudam da Palestina pra Illinois, onde passam a viver com a família de sua irmã, Raghda (que já vive nos EUA com o marido e as filhas há 15 anos). Trata dos conflitos, dos contrastes culturais, da não-aceitação. Da realidade dos imgrantes árabes tendo como pano de fundo a invasão estadunidense ao Iraque.
Muna, recém-chegada ao Ocidente, só quer fugir da humilhação de viver presa em sua própria terra e recomeçar a vida nos EUA.
Raghda, mesmo depois de 15 anos, não consegue se adaptar e sonha em largar tudo e voltar pra casa.
Fadi enfrenta problemas com os valentões da escola, que insistem em chamá-lo de Osama.
Mas nem tudo são espinhos. Muna e Fadi encontram simpatia e amizade em alguns personagens que passam por suas vidas e os ajudam a seguir em frente.
03) Os tempos de Harvey Milk (Doc.)
Antes, a nota já era 7,0 porque eu amo a história de Harvey Milk. Depois de assistir, fica entre 8,5 e 10,0 (provisoriamente, porque preciso pesqueisar o porque da ausência de uma figura importante).
Falar desse documentário, é repetir muito do que eu já disse aqui quando assisti "Milk". Voltaram as alegrias, a tristeza, a indignação. É ainda mais intenso porque são as cenas reais, os "personagens" de verdade. Novamente saí do cinema emocionada.
Incrível como o casting do filme foi fiel a realidade. As semelhanças são assustadoras.
Uma grande diferença: O período depois dos assassinatos é explicados em detalhes.
Imagens e reportagens do julgamento de Dan White. Ver o verdadeiro White falando dos crimes me causou grande incômodo.
Ganhou o Oscar de Melhor doc. em 1985. Dan White foi solto em 07/01/1984. Certamente foi feito pra chamar atenção pra sua soltura, após cumprir apenas 8 anos tendo cometido duplo homicídio doloso e premeditado.
É curioso ver as diferenças entre a época de Milk e os dias de hoje. Harvey diz (ingenuamente?) que os gays devem "sair do armário" no trabalho, que eles não correm o risco de serem despedidos porque a lei proíbe. Sabemos que nem no século XXI a coisa funciona assim.
Achei bem interessante as intervenções do mecânico, ao longo do filme. Bem sincero sobre o que pensava de Milk no início e como sua opinião (e aceitação aos gays) foi crescendo.
Saí correndo pra ver outro filme, outro doc. da mostra gay.
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04) Fúria (Doc.)
Vale um 8,5.
Documentário sobre Michael Rogers, ativista gay e blogueiro estadunidense cuja missão é desmarcarar os políticos gays enrustidos.
A primeira pergunta que a platéia deve ter se feito é: Ele tem esse direito? Tirar os caras do armário? Na marra? Expondo-os publicamente?
Ao longo do doc. não resta nenhuma dúvida.
Sim, Mike está certo e deveria haver mais gente como ele.
Esses políticos, em sua maioria republicanos, são os mesmos que fazem de tudo para que os gays continuem sendo cidadões de 2ª classes.
São eles que criam aberrações como a Prop 8 (que proibiu a união civil na Califórnia), que cortam a verba para remédios e campanhas HIV/AIDS, que impedem a adoção por casais ou gays solteiros.
Enfim, vivem uma vida de mentira, com casamentos de fachada, saem às escondidas (às vezes nem tanto) pra procurar sexo em banheiros e boates, reprimem a própria sexualidade em nome da moral e dos valores cristãos.
No filme temos exemplos bons e ruins.
Bons: Depoimentos de políticos que se assumiram por conta própria, cansados de viver pela metade.
Ex. : Jim McGreevey, que dá um depoimento lindo sobre seu processo de aceitação, após um casamento de 11 anos. Assume numa coletiva de imprensa e renuncia à prefeitura, ao lado da esposa.
Ex.: Jim Kolbe (Adorei! Um velhinho simpático que, depois de 40 anos na política, "sai do armário" feliz e bem-resolvido).
Ruins: Os que ainda insistem em posar como exemplo de heterossexual, defensor da família americana e continuam com sua política maléfica, assassina.
Ex.:Charlie Christ, governador da Flórida. Um dos prováveis nomes do Partido Republicano para disputar a Presidência em 2012.
(A cena que fala do amante é hilária: "Jason, 21 anos, um jovem republicano..." Enquanto mostra imagens super "aloca" do moço).
Por fim, Mary Cheney, a filha lésbica do vice-presidente. Uma grande hipócrita. Antes de se envolver na campanha Bush/Cheney era consultora da cerveja Coors, responsável pelas propagandas gays da empresa. (Curiosidade: A mesma Coors que a galera do Milk boicotou 20 anos antes).
Na campanha Mary se cala, para que seu pai e George W. vençam. Logo depois resolve se assumir e lança um livro. Ok. = /
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Não sei se foi muito sábio ver o 03) e o 04) seguidos. São muito fortes. Fui pra casa me sentindo mal.